Carta do Presidente da República Islâmica do Irã ao povo americano

3 de dezembro de 2006

 

Em nome de Deus misericordioso!

Caros cidadãos americanos!

Se não tivessem existido as ações do Governo dos Estados Unidos nesta região, e as suas conseqüências negativas para os nossos povos; se não tivesse havido distúrbios e guerras provocados pelos Estados Unidos; se não tivesse havido as conseqüências lamentáveis da ingerência desse Governo nos assuntos de outros países – o povo americano também não ansiaria por Deus Todo-poderoso e por justiça, e não haveria nenhuma tentativa por parte do governo dos Estados Unidos de impedir a divulgação da verdade.

Se não tivéssemos uma responsabilidade comum em relação à liberdade e à dignidade humana, não haveria motivo para vos dirigir estas palavras.

É preciso reconhecer que embora os nossos países, o Irã e os Estados Unidos da América, estejam muito longe um do outro, a dignidade e o espírito humano que falam da nobreza e das virtude de todas as pessoas, aproximaram os nossos povos.

Estes dois povos rezam a um Deus, buscam a verdade e reclamam justiça, perfeição e generosidade.

Todos nos alegramos com o desenvolvimento e com a expansão da dignidade humana, da amabilidade, do entendimento comum; todos esperamos o respeito pela dignidade humana, pelos Direitos Humanos e por sua defesa, como também somos pela defesa dos direitos dos oprimidos e contra os tiranos.

Estamos todos interessados no bem estar e no serviço ao próximo, tal como na defesa dos direitos dos oprimidos, e deploramos a injustiça e a violação dos Direitos Humanos, e somos contra o ultraje e o desrespeito.

Todos odiamos a mentira e a trapaça e nos inclinamos para o bem e a para luz, e para a compreensão mútua e a devoção.

A dignidade Humana de ambos os nossos povos é prova do que acabo de dizer.

Prezados cidadãos americanos!

O nosso povo sempre ansiou pela amizade e cooperação com todo o mundo. Centenas de milhares de iranianos, compatriotas meus, vivem pacífica e tranqüilamente em vosso país, produzindo coisas boas e nobres para a vossa sociedade. O nosso povo esteve durante muitos anos em contato com o vosso e, apesar das severas medidas tomadas pelo governo dos Estados Unidos, esses contatos e essas ligações continuam a existir.

Tal como já afirmei, temos preocupações comuns e ambos nos revoltamos com a agitação e a insegurança que reina no mundo.

Ambos estamos preocupados com a escalada diária das dificuldades que os palestinos têm de enfrentar. Os crimes constantes do governo sionista dificultam o dia-a-dia dos verdadeiros donos da Palestina. Frente às câmaras e dos olhos dos observadores internacionais, o governo sionista bombardeia inocentes e indefesos palestinos, arrasa as suas casas com bulldozers, abate a tiro crianças palestinas na rua e deixa que as suas famílias fiquem eternamente à espera do regresso dos seus filhos.

Tal como as mães iranianas e americanas, as mães palestinas também amam os seus filhos e ficam profundamente magoadas quando eles são feridos, presos ou, assassinados. Imaginam que existe uma mãe que não esteja agora muito preocupada?

Não há dia em que os sionistas não cometam um crime.

Há sessenta anos que o governo sionista deixa milhões de palestinos sem teto. Muitos refugiados morreram no estrangeiro ou em campos de refugiados, e os seus filhos envelheceram, e continuam a sonhar com o regresso ao seu país.

Sabem muito bem que o governo dos Estados Unidos, através do seu apoio constante ao governo sionista, lhe deixa as mãos livres para os seus crimes. Até agora, o governo dos Estados Unidos nunca permitiu que as Nações Unidas condenassem o regime de ocupação sionista. Quem pode negar esta injustiça do governo dos Estados Unidos perante a Humanidade?

Os governos chegam ao poder para servirem o seu povo. Nenhum povo permite ao seu governo que apóie os tiranos. Mas o governo dos Estados Unidos despreza as pessoas do seu país e protege os que violam os direitos dos palestinos.

Vejam o Iraque. Desde a ocupação do país pelo exército americano, já morreram cento e cinqüenta mil iraquianos e centenas de milhares foram feridos. O terrorismo no Iraque alastrou-se muito. Devido à presença americana no Iraque, nenhum passo foi dado para a reconstrução do saneamento básico, da infra-estrutura e da eliminação da pobreza. Os políticos americanos utilizam como pretexto a existência de armas de destruição em massa para atacar e ocupar o Iraque. Mas a sua afirmação não passou de uma mentira e de uma manobra de despistamento. Apesar da queda de Saddam Hussein, e de o mundo inteiro se ter alegrado com isso, a miséria e os problemas do povo iraquiano pioraram.

Há mais de cento e cinqüenta mil militares americanos no Iraque sob o comando do governo dos Estados Unidos, longe das suas famílias. Muitos foram mortos ou feridos, e a sua presença no Iraque anula o prestígio do povo americano e do governo dos Estados Unidos. Repetidas vezes, as mães e os familiares dos soldados americanos estacionados a milhares de quilômetros da sua pátria, expressaram o seu desagrado através de manifestações. E muitos perguntam: "O que estamos fazendo aqui? Por que nos mandaram para cá?"

Não posso acreditar que estejam satisfeitos que bilhões de dólares estejam a ser gastos a cada ano do orçamento americano para esta campanha.

Prezados cidadãos americanos!

Sabem que o governo dos Estados Unidos persegue os seus adversários nos lugares mais variados e que os mantêm presos – sem qualquer processo judicial ou fiscalização internacional – em terríveis cadeias secretas em todo o mundo. Só Deus sabe quem são esses prisioneiros e que sina amarga têm de suportar. Conhecem a triste história dos prisioneiros em Abu Ghoraib e em Guantánamo. O governo dos Estados Unidos justifica todas essas medidas sob a capa do combate ao terrorismo, mas todos sabemos que tais medidas ferem a sensibilidade do Mundo, espalham o terror e prejudicam o prestígio do governo dos Estados Unidos.

As medidas ilegais e imorais do governo dos Estados Unidos não se resumem ao que fazem em outros países.

Todos são testemunhas que sob a capa do combate ao terrorismo, o governo dos Estados Unidos limita os direitos dos cidadãos americanos. Leis e direitos fundamentais são violados. Há escutas telefônicas, e qualquer suspeito é detido, espancado na rua, ou abatido a tiros. Estou certo que tais medidas não agradam ao povo americano, e que já está indignado com isso.

O governo dos Estados Unidos não se sente obrigado a prestar contas a qualquer organização ou tribunal internacional. O governo dos Estados Unidos prejudicou o prestígio das organizações internacionais, sobretudo da ONU e do Conselho de Segurança.

Não tenciono mencionar aqui todas as injustiças e todos os problemas.

O poder e o prestígio de um Estado não assentam em misseis e bombas atômicas, mas sim na lógica, no direito de Estado e no respeito de toda a Humanidade.

Não há dúvida que com a continuação desses atos de violência e suas atividades secretas, a Administração e as chefias dos Estados Unidos vão colocar o seu país numa situação precária. Sem dúvida que a nação americana está insatisfeita com tal comportamento. Aliás, manifestou-o nas últimas eleições. Espero que a Administração Bush tenha compreendido a mensagem da nação.

Não será possível governar melhor do que apoiando a justiça e o reconhecimento do direito dos povos, e colocar a riqueza e o poder de um país a serviço da paz, da estabilidade e do bem-estar, em vez de os utilizar para abusos e guerras.

Todos condenamos o terrorismo. Em realidade, as suas vítimas são os inocentes. Será possível eliminar o terrorismo com guerras, destruição e o massacre de centenas de milhares de pessoas inocentes? Se for possível, porquê esse problema continua por resolver? Temos o exemplo do ataque ao Iraque.

O que o povo americano ganhou com o apoio dado aos sionistas?

É lamentável que, do ponto de vista do governo dos Estados Unidos, os interesses do ocupante sionista tenham prioridade sobre os interesses do povo americano e demais povos.

Os sionistas prestaram algum serviço ao povo americano para o governo dos Estados Unidos se sentir obrigado para com os agressivos sionistas?

Será que existem dúvidas de que a rede sionista se estendeu a uma grande parte dos sistemas bancários, econômicos, culturais e dos media?

Recomendo que por respeito à Humanidade e aos cidadãos americanos, seja reconhecido o direito do povo palestino viver na sua pátria; o direito de milhões de refugiados palestinos regressarem ao seu país. Depois será possível resolver o problema do terrorismo palestino e do futuro governo da Palestina através de um referendo. E isto é do interesse de todos.

Agora que o Iraque já tem uma Constituição, um governo independente e um Parlamento, não seria vantajoso o regresso dos soldados e oficiais americanos para o seu país? Muito dinheiro seria poupado, podendo ser gasto para o bem-estar da população americana.

Vocês sabem melhor do que eu que muitos americanos ainda estão a sofrer as conseqüências do furacão Katrina, e que há muitos pobres e desabrigados nos Estados Unidos.

Agora quero dirigir-me aos vencedores das eleições para o Congresso.

Os Estados Unidos tiveram muitos governos. Houve governos com grande prestígio e governos que não deixaram boas recordações aos cidadãos dos Estados Unidos e demais países.

Muitos de vós fazem parte do governo americano. A História e o Mundo vos julgarão.

Se o governo dos Estados Unidos, baseado no direito e na justiça, enfrentasse os atuais desafios, no país e no estrangeiro, podia melhorar, até certo ponto, o seu desagradável passado e acabar com a antipatia que os povos de todo o mundo sentem por ele.

Se as coisas continuarem como estão, podemos esperar que os cidadãos americanos também recusem o novo grupo político e que estes terão a sorte do seu antecessor, embora as eleições nos Estados Unidos representem a derrota da política do governo e não a vitória da população. Mas isso foi amplamente abordado na minha carta dirigida ao Sr. Bush.

Resumindo: É possível governar de outra forma que não a força e a injustiça. Podemos trabalhar a serviço dos critérios comuns à humanidade, do amor à liberdade e da amizade, sem atritos, sem ameaças, violência e guerras, para alcançarmos o bem-estar e a paz. Através da fé em Deus e do culto religioso, apoiado na moral, na espiritualidade e nos ensinamentos do Profeta de Deus, podíamos levar o Mundo à perfeição.

Nesse caso, os cidadãos americanos que acreditam em Deus e nas religiões divinas, podiam eliminar todos os problemas.

Cidadãos americanos, estou certo que podeis desempenhar um papel importante na consolidação da justiça e da espiritualidade no Mundo. As profecias de Deus e dos seus profetas tornar-se-ão realidade, reinará a justiça e a retidão, e todos os povos encontrarão a verdadeira vida num mundo cheio de amor e fraternidade.

O governo do seu país, os que desempenham cargos importantes e os poderosos dos Estados Unidos, não deve seguir caminhos sem retorno. Em harmonia com os ensinamentos dos enviados de Deus está a conseqüência da opressão, que não passa de perdição e ruína. O caminho de regresso à fé e à espiritualidade está sempre aberto.

No Corão está escrito:

Para aquele que faz penitência e se converte à fé e pratica boas obras, existe esperança de pertencer aos redimidos.

Deus cria e escolhe segundo o Seu parecer e não segundo a nossa vontade.

Deus é puro, perfeito e único.

Por Deus onipotente desejo honra e glória para os povos americano e iraniano, tal como para os demais povos do Mundo.

Mahmud Ahmadinejad

 

 


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