Conferência Durban II

The Durban Review Conference

Discurso do Presidente da República Islâmica do Irã, Mahmud Ahmadinejad, na Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas.

Genebra, 20/4/2009

Ilustre Presidente da Conferência, ilustre Secretário-geral da ONU, ilustre Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos. Senhoras e senhores.

Estamos reunidos para dar prosseguimento à Conferência Durban 2001 contra o racismo e a discriminação racial, para definir mecanismos que permitam pôr em ação nossas campanhas humanitárias e religiosas.

Ao longo dos últimos séculos, a humanidade tem passado por grandes sofrimentos e dores terríveis. Na Idade Média, condenavam-se à morte pensadores e cientistas. Depois se seguiu um período em que se praticaram a escravidão e o comércio de seres humanos. Inocentes eram capturados aos milhões, separados de suas famílias e entes queridos, para serem levados à Europa e à América, sob as piores condições. Período de trevas, em que a humanidade também conheceu a ocupação, a pilhagem e os massacres de inocentes.

Muitos anos passaram-se antes que as nações se erguessem e lutassem pela liberdade, pela qual sempre pagaram preço muito alto. Perderam-se milhões de vidas na luta para expulsar ocupantes e estabelecer governos nacionais independentes. Mas não demorou muito para que saqueadores do poder político impusessem duas guerras à Europa, que também varreram como praga parte da Ásia e da África. Essas guerras terríveis custaram a vida de cem milhões de pessoas e provocaram devastação massiva em todo o mundo. Se a humanidade tivesse aprendido o que havia a aprender daquelas ocupações, dos horrores e crimes daquelas guerras,  já haveria um brilho de esperança para o futuro.

Os poderes então vitoriosos se auto designaram de conquistadores do mundo, ignorando ou sub valorizando os direitos de outras nações e impondo leis de opressão e de arranjos internacionais.

Senhoras e senhores, consideremos por um momento o Conselho de Segurança da ONU, que é uma das heranças deixadas pelas duas Grandes Guerras Mundiais.

Que lógica há nesse Conselho de Segurança em assegurar apenas a alguns países o Direito de Veto?

Como essa lógica se harmonizaria com os valores humanitários ou espirituais? Não seria essa lógica sempre discrepante dos princípios de Justiça, de Igualdade de todos ante a Lei, do amor e da dignidade humana? O Direito de Veto não lhes parece sempre discriminatório e injusto, e não implica sempre na violação de direitos humanos e de humilhação da maioria das nações e países?

O Conselho é o mais alto órgão político de decisões do planeta, para salvaguardar a paz e a segurança mundiais. Mas como se pode esperar que realize a justiça e a paz, se a discriminação está ali convertida em lei, e se a própria a lei é constituída mediante a coerção e o arbítrio, e não pela justiça e respeito aos direitos de todos?

A coerção e a arrogância estão na origem da opressão e das guerras. Embora muitos condenem, em seus discursos e slogans, a discriminação racial, alguns países muito poderosos têm sido autorizados a decidir sobre suas políticas racistas, baseados apenas em seus interesses e no seu próprio juízo. Assim têm podido facilmente violar todas as leis e todos os valores humanitários.

Logo depois da Segunda Guerra Mundial, alguns daqueles países recorreram à agressão militar para arrancar de suas terras e de seus lares toda a população de uma Nação, sob o pretexto de que os judeus sofriam horrivelmente; aquelas nações enviaram migrantes refugiados para toda a Europa, para os Estados Unidos e para outras partes do mundo, e estabeleceram um governo totalmente racista na Palestina ocupada. De fato, em compensação pelas terríveis conseqüências do racismo na Europa, ajudaram a implantar, na Palestina, o mais cruel e repressivo regime racista.

O Conselho de Segurança ajudou a estabilizar o regime ocupante e apoiou-o durante os últimos sessenta anos, dando-lhe pleno direito de cometer todos os tipos de atrocidades. É lamentável, sob todos os aspectos, que alguns governos ocidentais, e o governo dos Estados Unidos, tenham-se comprometido na defesa desses racistas genocidas, enquanto a consciência dos homens e mulheres livres em todo o mundo condenavam a agressão, as brutalidades e os bombardeios contra civis em Gaza, na Palestina. Os apoiadores de Israel têm defendido esses crimes ou silenciado sobre esses crimes.

Amigos, ilustres Delegados, senhoras e senhores. Onde estão as causas alegadas para os ataques dos Estados Unidos contra o Iraque, ou da invasão do Afeganistão?

Não é outro o motivo que levou à invasão do Iraque, se não a arrogância do anterior governo dos Estados Unidos e a pressão crescente dos mais ricos e poderosos que visam sempre expandir a sua esfera de influência. Aí estão os interesses da poderosa indústria de armamento, destruindo uma cultura de mil anos, nobre em todos os sentidos, de longuíssima história. Tentam eliminar a potência e a ameaça direta que os países muçulmanos apresentam hoje ao regime sionista, e enquanto defendem esse regime, querem também assenhorear-se das fontes de energia do povo iraquiano?

Por que, afinal, quase um milhão de seres humanos foram mortos ou feridos e mais outros milhões foram convertidos em exilados e refugiados? Por que o povo iraquiano sofre perdas que já alcançam as centenas de bilhões de dólares? E por que o povo dos Estados Unidos teve de ver consumirem-se bilhões de seus dólares, como custo dessas ações militares? A ação militar contra o Iraque não terá sido planejada pelos sionistas e os seus aliados no governo dos Estados Unidos, cúmplices dos países fabricantes de armas e dos senhores da riqueza do mundo? A invasão do Afeganistão terá, por acaso, restaurado a paz, a segurança e o bem-estar econômico naquele país?

Os Estados Unidos e os seus aliados fracassaram na missão de conter a produção de drogas no Afeganistão. O cultivo de narcóticos multiplicou-se, depois da invasão. A pergunta necessária é: Quem responderá pelo que fizeram o governo anterior dos Estados Unidos e os seus aliados, naquela parte do mundo?

Representavam ali os países do mundo? Receberam de alguém algum mandato? Foram autorizados pelos povos do mundo a interferir em todos os lugares do globo, e sempre mais intensamente na nossa Região? Não serão a invasão e a ocupação, exemplos claros de autocentrismo, de racismo, de discriminação e de violência contra a dignidade e a independência de tantas nações?

Senhoras e senhores, quem é responsável pela crise econômica pela qual passa o mundo? Onde começou a crise? Na África? Na Ásia? Ou começou nos Estados Unidos, contaminando em seguida toda a Europa e os aliados dos Estados Unidos?

Por longo tempo, usaram o seu poder político para impor regras econômicas desiguais na economia internacional. Impuseram  sobre nações e governos que nada podiam, um sistema financeiro e monetário sem um adequado mecanismo de supervisão internacional, no sentido de conter tendências ou políticas desastrosas. Nem sequer permitiram que outros povos e países supervisionassem ou monitorassem as suas políticas financeiras.

Introduziram leis e regulamentações que agrediam todos os valores morais, exclusivamente para proteger interesses desses senhores da riqueza e do poder.

Mais ainda, apresentaram uma definição de economia de mercado e de competição que nega muitas das oportunidades econômicas que poderiam ser acessíveis para outros países do mundo. Também transferiram seus problemas a outros, enquanto ondas de crises repercutiam sobre a própria economia, gerando milhares de bilhões de déficit no orçamento. E hoje, estão injetando centenas de bilhões de dólares, tirados de seu próprio povo e de outras nações, para ajudar bancos, companhias e instituições financeiras falidas, o que torna a situação cada vez mais complicada para a sua própria economia e para o seu próprio povo. Estão pensando simplesmente em manter o poder e a riqueza.

Não dão nenhuma atenção aos povos do mundo, nem sequer ao próprio povo.

Senhor Presidente, senhoras e senhores, o racismo nasce da falta de conhecimento sobre as raízes da existência do homem como criaturas escolhidas por Deus. Também é produto de desvio do verdadeiro caminho da vida humana e das obrigações da humanidade na criação do mundo, que leva a falhar em seus deveres de conscientemente servir a Deus; nasce também de não se saber pensar sobre a filosofia da vida, ou sobre o caminho da perfeição que são os principais ingredientes dos valores divinos e humanitários. Assim, essas ignorâncias restringiram o horizonte do olhar humano, tornando-o superficial, e tomando, como instrumento de sua ação, só os interesses mais limitados. É por isso que o poder do mal ganhou forma e expandiu os seu domínio, ao mesmo tempo em que privou outros de todas as oportunidades justas e igualitárias de desenvolvimento.

O resultado foi o surgimento de um racismo sem limites que é hoje a mais grave ameaça que pesa sobre a paz internacional e tem comprometido todos os esforços para construir a coexistência pacífica em todo o mundo. Sem dúvida, o racismo é o principal símbolo da ignorância; tem raízes históricas e, de fato, é sinal de que o desenvolvimento de uma sociedade humana foi frustrado.

É, portanto, crucialmente importante denunciar as manifestações de racismo em todas as ocasiões e em todas as sociedades nas quais prevaleçam a ignorância e pouca sabedoria.

A consciência e a compreensão geral da filosofia da existência humana é o principal objetivo e princípio da luta contra as manifestações de racismo, e revela a verdade: Os seres humanos são o centro da criação do universo. A chave para resolver o problema do racismo é o retorno aos valores espirituais e morais e, afinal, implica voltar a servir a Deus Todo-Poderoso.

A comunidade internacional têm de iniciar movimentos que visem a ampliar a consciência coletiva, sobretudo nas sociedades em que o racismo e a ignorância prevaleçam; só assim por-se-á fim ao avanço dos danos causados pelo racismo, que é perverso.

Caros amigos. Hoje, a comunidade humana enfrenta um tipo de racismo que macula a imagem de toda a humanidade, no início do terceiro milênio.

O sionismo mundial personifica o racismo que é falsamente atribuído a religiões mas, de fato, abusa dos sentimentos religiosos para esconder sua horrenda face de ódio. Contudo, é importante que não percamos de vista os objetivos políticos de alguns dos poderes mundiais, dos que controlam os imensos recursos econômicos e os lucros, no mundo. Mobilizam todos os recursos, inclusive a influência econômica e política e a mídia em todo o mundo, para tentar ganhar apoio para o regime sionista e para ocultar a indignidade e daquele regime.

Não se trata aqui de simples questão de ignorância. Ninguém pode pôr termo a esses horrores mediante campanhas consulares e diplomáticas. É preciso trabalhar com muito empenho para deter os abusos praticados pelos sionistas e seus apoiadores políticos e internacionais, e para fazer respeitar o desejo e as aspirações dos povos. Os governos anti-sionistas devem ser encorajados e apoiados com vistas a erradicar esse racismo bárbaro e para que se reformem os mecanismos internacionais hoje existentes.

Não há qualquer dúvida de que todos os senhores aqui presentes têm perfeito conhecimento da conspiração movida por alguns governos e pelos círculos sionistas contra as metas e os objetivos desta Conferência.

Infelizmente, houve declarações e declarações de apoio aos sionistas e seus crimes. É dever e responsabilidade dos respeitáveis representantes de todas as nações desmascarar essa campanha que corre na direção oposta a todos os valores e princípios humanitários.

Deve-se reconhecer e declarar que boicotar uma reunião como esta, e tentar degradar a excepcional capacidade política internacional que aqui se encontra, é a manifestação de apoio aos racistas, e também é escandaloso exemplo de racismo.

Para defender os direitos humanos, é fundamentalmente importante, em primeiro lugar, defender os direitos de todas as nações do mundo, de participar em condições de igualdade no processos de tomar toda e qualquer decisão, sem qualquer tipo de pressão que venha apenas de uns poucos poderes mundiais. Em segundo lugar, é necessário reestruturar as organizações internacionais existentes e suas respectivas constituições e acordos. Esta Conferência, portanto, é como um campo de testes. A opinião pública, hoje e no futuro, julgará as nossas ações e as nossas decisões.

Senhor Presidente, senhoras e senhores. O mundo está passando por mudanças profundas e muito rápidas. Relações de poder consideradas estáveis já se mostram frágeis, e muito fracas. Ouve-se o crack dos pilares dos sistemas mundiais. As principais estruturas políticas e econômicas estão em ponto de colapso. No horizonte, já aparecem crises políticas e de segurança. O agravamento da crise da economia mundial, para a qual não se vê futuro melhor, demonstra que estamos sob a força de uma maré de mudanças globais. Tenho repetido e enfatizado que é necessário que o mundo abandone a rota desorientada em que caminhou por tanto tempo, e na qual ainda insiste. Também tenho alertado por vezes repetidas contra as terríveis conseqüências de qualquer desatenção a essa responsabilidade crucial.

Aqui, nesta importante Conferência, entendo que já possa declarar a todos os líderes do mundo, aos pensadores e a todos os povos de todas as nações do planeta aqui representados, e que anseiam por paz e bem-estar econômico, que aquela ordem injusta que comandou o mundo, já chega, hoje, ao fim da sua caminhada. É fatal que aconteça, porque a lógica desse poder imposto sempre foi a lógica da opressão.

A lógica do governo compartilhado e dos negócios planetários deve-se basear nos mais nobres anseios que há em todos os seres humanos e na supremacia de Deus Todo-Poderoso. Portanto, operará tão mais eficientemente quanto mais se façam ouvir todas as vozes de todas as nações. A vitória do bem sobre o mal e a construção de um sistema mundial justo é promessa que Deus e seus mensageiros fizeram à humanidade. Esse sistema mundial justo tem sido objetivo partilhado de todos os seres humanos e de todas as sociedades ao longo da história. Realizar esse futuro depende de conhecer o espírito da criação e a força da fé dos crentes.

Construir uma sociedade global é, afinal, alcançar o alto objetivo de estabelecer um sistema global comum, do qual participem todas as nações do mundo, ouvidos todos, em todos os processos de decisão, com vistas a esse mesmo objetivo.

Capacidades científicas e técnicas e tecnologias de comunicações criaram novas vias de entendimento para a sociedade mundial, entendimento partilhado e disseminado; essa é a base essencial para um sistema comum. Cabe, doravante, aos intelectuais, pensadores e construtores de políticas, em todo o mundo, assumir a responsabilidade de cumprir esse seu papel histórico, com firme crença de que esse é o caminho a seguir.

Quero também destacar o fato de que o liberalismo e o capitalismo ocidentais não se mostraram suficientemente potentes para perceber a verdade do mundo e dos homens como realmente são. Sempre tentaram impor a todos objetivos e rumos que eram só deles, e sem qualquer atenção aos valores humanos e divinos de justiça, liberdade, amor e fraternidade; sempre viveram em intensa competição, pensando mais, sempre, em interesses materiais, individuais e corporativos.

É tempo de aprender com a experiência e iniciar esforços coletivos para enfrentar os desafios que aí estão. Nessa mesma linha de argumento, quero chamar-lhes a atenção ainda para duas questões importantes:

Primeiro, que é absolutamente possível melhorar a situação em que o mundo vive hoje. Mas deve-se observar que, para tanto, é indispensável que todos os povos e países cooperem, com vistas a construir um mundo melhor para todos, fazendo render o máximo possível, para todos, todas as capacidades e os recursos com que o mundo conta hoje.

Participo hoje, presente nesta Conferência, porque tenho a firme convicção de que as questões que aqui se discutem são importantes. E porque é dever de todos, e é responsabilidade comum de todos, defender os direitos de todas as nações contra o racismo sinistro, aqui, e solidários aos melhores pensadores do mundo.

Em segundo lugar, considerada a ineficácia do sistema político, econômico e de segurança hoje vigentes, é indispensável voltar a considerar os valores humanos e divinos, a verdadeira definição do homem e da humanidade, baseada na justiça e no respeito aos valores de todos os povos, em todo o mundo. Para isso, é necessário denunciar os erros e vícios dos sistemas que até hoje governaram o mundo; e é necessário que tomemos medidas coletivas para reformar essas estruturas existentes.

Para tanto, é crucialmente importante reformar imediatamente a estrutura do Conselho de Segurança, com imediata eliminação do discriminatório Direito de Veto; e é preciso mudar os sistemas financeiro e monetário mundiais. Claro que, quanto menos se compreenda a urgente necessidade de mudar, mais nos custarão os adiamentos e atrasos.

Caros amigos. Andar na direção da justiça e da dignidade humana é como seguir o fluxo rápido das águas de um rio. Tenhamos sempre em mente a potência do amor e do afeto.

O futuro prometido para todos os seres humanos é patrimônio valiosíssimo. Temos de nos manter unidos para construir outro mundo possível.

Para que o mundo seja um lugar melhor, cheio de amor e de bênçãos, um mundo onde não haja nem ódio nem pobreza, mundo abençoado por Deus Todo-Poderoso, que levará à realização de todas as perfeições dos seres humanos, temos de nos dar as mãos em amizade e solidariedade, e trabalhar para realizar esse mundo melhor.

Agradeço ao Presidente da Conferência Durban II, ao Secretário-geral e a todos os ilustres participantes, a paciência com que me ouviram. Muito obrigado.


OBSERVAÇÕES:

Mesmo durante a fase preparatória da Conferência Durban II, os judeus e as suas organizações secretas, ou descaradas, já se agitavam por todo o mundo no intuito de sabotarem aquele fórum onde os crimes de Israel e do Sionismo Internacional seriam expostos e denunciados. O multimilionário lobby judeu, tanto na própria ONU, quanto no seio de vários Governos e pela imprensa judaizada, fizeram de tudo para abafar as vozes que agora se levantam contra a grande farsa do "holocausto", e principalmente contra o indecente conluio de certos grupos apátridas, parasitas da economia mundial.

Não por acaso, uns esquisitos incidentes de "anti-semitismo" já iam sendo fabricados e explorados pelos agentes judeus em várias partes do mundo. Na Suíça e no Brasil temos o estrepitoso "Caso Paula Oliveira" e agora, a poucos dias antes da visita do Presidente da República Islâmica do Irã, a tropa judeo-sionista, tanto na mídia, quanto na Câmara e no Congresso, já se contorce e agita. Assista ao descaramento desse agente do Sionismo Internacional, o esquisito deputado federal Marcelo Zaturanski Itagiba, em seu aflito e desesperado discurso de insultos e grosserias:


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