A farsa da cruz
Exposição de João Osório Brzezinski - Curitiba, 2002
A farsa da cruz * Texto de Octávio Camargo - Curitiba, 2002
Um dos aspectos que se vêem projetados pela cruz violeta é o de como à sombra dos conceitos mais nobres que a humanidade concebeu se encontram mais fingidas atitudes contrárias ao seu conteúdo. Em nome da ciência e dos esclarecimentos desenvolveram-se a civilização industrial, a bomba atômica e recentemente a clonagem de animais e seres humanos. Em nome da democracia o capital internacional promove ainda uma série de regimes autoritários e ditatoriais no terceiro mundo, em nome da difusão da informação e da notícia surgiram mecanismos de massificação do pensamento e aculturamento da população. Em nome da simplificação do ensino baniu-se o estudo de filosofia e línguas clássicas das escolas formando jovens imersos somente na contingência de suas necessidades imediatas sem referência histórica e condições de opinar criticamente sobre a sua própria existência. Em nome de Deus ou de Deuses travaram-se cruzadas e populações foram dizimadas sob o pretexto autoritário de uma relação privilegiada com o além. Quando a humanidade se sente ameaçada, o mundo tende a se polarizar, as posições tornam-se radicais, os discursos rígidos, e as palavras são entendidas ao pé da letra. As consequências mais diretas da tirania do significado que se instaura nestes tempos são a intolerância, o preconceito, a massificação de idéias, a supressão da opinião individual e o silêncio permissivo. Os apologistas do "verdadeiro sentido das palavras" que oportunisticamente se multiplicam nestes períodos esquecem que o significado das palavras não está na sua referência objetiva mas no uso que delas se faz. A mesma faca que o dicionário define como arma pode servir para preparar o jantar de uma família, e a pomba, símbolo universal da paz pode portar a mais terrível das mensagens. A mesma igreja que excluiu de seu domínios a contestação herética dos dogmas da fé pela via árdua das chamas da inquisição, amparou a expressão artística durante a idade média e preservou os tesouros da literatura clássica. No século XX o nazismo obteve o silêncio de Roma de Pio XII frente aos crimes cometidos contra o povo Judeu durante a segunda guerra mundial. Israel desfruta agora de um silêncio parecido na ação contra a minoria palestina nos territórios ocupados. A imprensa mundial parece também se apegar aos princípios de realidade única que cresce no seio do maniqueísmo. A excessiva importância à vida da corte capitalista cega os olhos da opinião pública à realidade do que acontece na esquina. Se a crueldade da soberania econômica sobre o oriente é manifesta, não o é menos a que acontece a nossa volta. As baixas ocorrem nos semáforos, nas ruas, nas casas, sem nenhuma questão de credo, territórios ou ideologia, mas pela irracionalidade da banalização da vida. Que o outro seja a medida da verdade. Não há saber. Todo o conhecimento é interpretação.
No texto original, o comentário sobre Pio XII não está em negrito; quase não aparece naquela miscelânea de trivialidades "politicamente-corretas", mas fica evidente a truculência de uma outra intenção subjacente. É somente a certeza do embotamento da capacidade crítica do público a que se dirige, o que encoraja essas pessoas a apresentarem coisas dessa natureza. O que procuram esconder, e escamoteiam descaradamente, é que "a discreta ação de Pio XII foi reconhecida por gente como o scholar judeu Pinchas Lapide, pesquisador sobre papas e catolicismo, que em seu livro Three Popes and the Jews (Londres, 1967) estima que Pio XII e inúmeros padres, freiras e leigos católicos tenham salvo de setecentos mil a oitocentos e cinqüenta mil judeus, até à custa da própria vida em não poucos casos."1 A fotografia de Gilson Camargo, e o texto de Octávio Camargo — com singelas metáforas sobre domésticos talheres e cândidas pombas — integram adequadamente o catálogo daquela mostra de rancoroso obscurantismo. Naquele estranho evento, o que menos importava era a arte, ou a literatura; portanto, vamos ao ponto: Primeiro o artista, depois o escritor, escolheram atacar a Igreja e se mostram como paladinos da informação e da lucidez, mas o que fazem é precisamente o contrário: obscurecem, desinformam. Se estivessem realmente comprometidos com a História, não aceitariam deturpar fatos de há mais de sessenta anos, para enganar ainda mais os distraídos, ou para justificar a brutalidade com que os judeus — há mais de um século — vêm humilhando, roubando e assassinando o povo da Palestina.2 Mas, voltando à arte, sem ter de ir buscar grandes argumentos, ou teorias, para mostrar a exagerada pobreza de imaginação, tanto do multiartista Octávio Camargo, quanto do artista plástico João Osório Bueno de Brzezinski, basta olhar para o cartaz do filme — igualmente medíocre — de Costa-Gavras.
Mesmo sem ser percebida pelos apáticos admiradores desses filmes e dessas exposições "engagé", essa estratégia, como aquela levada a cabo na Palestina, mostra a característica arrogância e a prepotência judeo-sionista. Lá, já não lhes basta a brutal ocupação, agora tratam de eliminar um povo; por aqui não lhes basta desvirtuar a biografia e a honra de Pio XII: completamente sem escrúpulos, intentam derrubar a Cruz e a Igreja. Apesar de dois mil anos de nossa civilização católica3 em continuação ao legado greco-romano e da ciência, da arte e da literatura egípcia, árabe, chinesa, indiana, mesmo assim, segundo a estranha opinião dessas pessoas, "Não há saber. Todo o conhecimento é interpretação." Bem, talvez com essa retumbante frase de encerramento ele só quisesse aludir à simples inépcia das suas acanhadas metáforas, ou à insolente grosseria daquela exposição. Post Scriptum: Leio em um jornal de Curitiba a notícia da apresentação do vídeo, A farsa da Cruz, sobre a montagem da exposição homônima de Brzezinski, "com narração (sic) espontânea do pintor Juarez Machado", e este, como sempre, devidamente vestido de artista. Nesse andar, e ainda sobre aquela exposição, talvez possamos aguardar algum texto do mago e imortal Paulo Coelho, talvez até com a benção do também famigerado rabino Sobel. Talvez, quem sabe... similia similibus curantur... Post Scriptum em 16 de março de 2006: Frente a textos e a exposições dessa qualidade, mais do que a natural indignação contra a calúnia e a maledicência, decorre outra tristeza como a que Lampedusa narrou no romance O Leopardo e na pequena peça O Senador e a Sereia... antigos e ancestrais ambientes, os íntimos aposentos e os jardins agora invadidos e pisoteados por boçais, e os livros depositados no subsolo da universidade, apodrecendo lentamente... "São os nouveaux maîtres, os señoritos arrogantes, graduados e violentos...", também advertiu Carpeaux.
NOTAS: 1 Tanto quanto essas grosseiras manifestações "artísticas" contra a honra de um Papa e a profanação da figura máxima da cristandade, é significativo que um certo sr. Abraham Foxman, diretor de uma Liga Anti-Difamação, faça por desconhecer a opinião de outros judeus, como a do rabino de Nova York, David Dalin, e nunca tenha se manifestado sobre a difamação de Pio XII; ou essa estranha organização não é do interesse da humanidade, mas somente serve à tentacular maçonaria da B'nai Brith e nunca às pessoas e instituições atacadas e caluniadas por judeus e seus sabujos? Por causa do filme A Paixão de Cristo, o diretor dessa esquisita Liga Anti-Difamação teve o desplante e a desfaçatez de se apresentar no Vaticano (quando o Pontífice, numa clara alusão às atividades racistas dessa organização judaica, lembrou o empenho da Igreja em "erradicar todas as formas de racismo") para que o Papa tomasse providências contra a fita. Mas nunca, esse "honesto" senhor que se diz "campeão da anti-difamação", dignou-se tomar qualquer atitude contra o medíocre Costa-Gravas, ou contra tantos autores ou artistas que, há muito tempo, trabalham sorrateiramente, sempre atacando a Igreja com desavergonhadas calúnias, ou lhe imputando os vícios da humanidade. Afinal, quem é o farsante e embusteiro? O Abraham, ou o David? E aqui na Província, que papel exercem nessa farsa e nessa fraude, o João Osório Brzezinski e o Octávio Camargo?
2 O que está acontecendo na Palestina, não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico. Gandhi em 1938
3 Uma outra característica dessa arrogância israelita é a falácia judeo-sionista ao tentar cunhar a expressão "judaico-cristã" para denominar a nossa civilização católica — a qual emana da arte e da filosofia gregas, do direito romano, e da religião cristã — e dessa maneira, insinuar que a contribuição hebréia teria se estendido para além do velho testamento, ou para fora das sinagogas. Em realidade, só recentemente o judaísmo passou a ter alguma importância no ocidente e, mesmo assim, essa estrangeira influência — absolutamente perniciosa, como agora se vê — vem emergindo através da obscuridade da maçonaria e do não menos sinistro judeo-sionismo em suas várias modalidades de atuação como, por exemplo, a destes dois artistas, ou a dos arqueólogos judeus, enquanto procuram roubar-nos a nossa herança histórica e, rancorosamente, denegar e destruir os nossos valores. Nós julgamos sempre que o Cristianismo consiste em pertencer à Igreja e perfilhar certa fé. Na realidade, o cristianismo é o nosso mundo. Tudo o que pensamos é fruto da Idade Média cristã, até a nossa ciência; em resumo, tudo o que se move dentro de nossos cérebros é, necessariamente, moldado por essa época histórica que vive, ainda, em nós, pela qual estamos definitivamente impregnados e que representará sempre, no mais distante futuro, uma camada da nossa constituição psíquica, nisso se assemelhando aos vestígios que o nosso corpo traz do seu desenvolvimento filogenético. A nossa mentalidade, a nossa concepção das coisas, nasceu na Idade Média cristã, quer se queira quer não. A época das luzes nada apagou. A marca do Cristianismo encontra-se, até, presente na maneira como o homem quer racionalizar o mundo. A visão cristã do universo é, assim, um dado psicológico que escapa às explicações intelectuais. C.G.Jung O homem à descoberta da sua alma, Brasília Editora, Porto, 1975, p. 411.
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